Eu acabo de ser substituído por um robô. Tá, na verdade, não um robô. Um software. E não eu, um jornalista americano. Mas é sempre bom começar seu texto com uma frase forte (Fica a dica para o robô que, um dia, me substituir).

Mas vamos aos fatos. Notas sobre o mercado de ações, resultados de esportes e previsão do tempo já são trabalho para um software chamado WordSmith. Você fornece os dados e a maquininha escreve o texto. O processo leva um terço do tempo que um profissional experiente precisaria. Estagiários então, nem se fala.

De acordo com algumas cabeças coroadas da tecnologia e economia, os motoristas estão com os dias contados. O carro auto-dirigível do Google é um exemplo de direção segura e confiável. Os poucos acidentes noticiados foram causados por humanos colidindo contra os carros-robôs.  Ou seja, taxistas, motoristas de ônibus, caminhoneiros: seus dias também estão contados.

Os economistas chamam esse processo de destruição criativa. Quando uma tecnologia elimina um trabalho ou um mercado, outro é criado em seu lugar, mais eficiente e rentável. Assim, ferreiros viram mecânicos, caçadores viram açougueiros e  jornalistas viram blogueiros. No começo do século XX, 46% dos postos de trabalhos eram relacionados à agricultura. Hoje, pouco mais de 5% deles se encontra no campo. Não teria porque ser diferente nas cidades.

Como funciona um capitalismo onde não há trabalho? De onde vem o salário que faz a economia girar?

Ainda haverá, é claro, os trabalhos para seres humanos. Mas eles estarão no topo da pirâmide. São os CEOs, os políticos, os membros do clero, as celebridades e os super atletas. Também prevalecerá todo trabalho que for pequeno e insignificante demais para merecer o desenvolvimento de um robô que o execute. Acredite, existe uma razão para que o seu Big Mac não seja montado por uma máquina: a máquina custa mais que o chapeiro. Se um dia esse quadro mudar, bye-bye chapeiros.

Isso nos leva a pergunta que não quer calar: chegará um dia em que não haverá empregos para todo mundo. Alguns dirão que esse dia já chegou. Toda crise recente do mercado causou demissões e foi seguida por uma recuperação em que a produção cresceu acima dos patamares anteriores, mas os empregos não voltaram aos mesmos índices pré-crise. A economia mundial está crescendo e gerando menos empregos. Um dia essa moda vai chegar na sua porta, fique tranquilo.

E como faremos? Como funciona um capitalismo onde não há trabalho? De onde vem o salário que faz a economia girar? Tem gente graúda lá fora pensando esse dilema. Tem gente questionando até se faz sentido continuar pensando no conceito de dinheiro nesse cenário.

Uma das propostas mais consensuais é que chegara um dia em que os governos do mundo serão forçados a aumentar os impostos do topo da pirâmide para financiar um pagamento à imensa maioria de cidadãos órfãos de empregos formais. Uma quantia anual que permitiria à população participar da cadeia de consumo e fazer a economia girar. Sim, minha senhora. Respeitáveis economistas gringos acreditam que, no futuro, o mundo será uma imensa bolsa-família.

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